terça-feira, 23 de agosto de 2011

País de bundas moles



Meus sobrinhos parecem ser fascinados por bundas. Ouvia um grupinho de seis rapazes a conversar e observei que todos gostavam de mulheres com bundas grandes e arrebitadas. Jorge exclamou: “Ela é bonita, mas é desbundada! Perdeu a graça!” Neto defendeu a namorada e justificou: “Que vou querer com bunda? Gosto dela porque tem personalidade forte, inteligente, culta, formada em dois cursos, Direito e Jornalismo. Sabe dialogar e não é boba como a sua, que sequer sabe o que é nazismo, como demonstrou naquele sábado em que estávamos no barzinho. He...he...he...
Todavia, Joyce Pasckoviski, colunista da Folha de S.Paulo, escreveu em seu blog: “Somos um país de bundas. Não sou a primeira a dizer isso, mas digo agora porque passei os feriados no Rio, fui à praia, coisa que adoro, e vi montes de bundas na minha frente. Umas poucas realmente bonitas, outras tantas feias, algumas horrorosas. Que mania foi essa que inventaram, bundas de fora dos biquínis, tipo fio-dental? É muito feio, feio de verdade. As mulheres cariocas são lindas em grande parte, mas o fio-dental realmente torna todas elas vulgares, muito vulgares. Por que lembrei disso agora? Porque tive momentos de alta inspiração no desfile que Pierre Cardin fez no shopping Iguatemi. Que sensação de… Pertinência. Que privilégio ver uma coisa que era realmente “moda”. Criação de verdade. A cada modelo que passava na passarela, eu pensava o quanto Pierre Cardin sempre foi original, genial, na verdade. Pensava também o quanto é raro a gente ter a chance de ver nas passarelas algo realmente autêntico, classudo. De respeito. Encontrei depois, ao final do desfile, duas amigas que… Choraram. Isso mesmo: choraram. Talvez ninguém soubesse muito explicar por que tanta emoção. Eu acho que até entendi… O fato é que coisas de verdade, autênticas, ainda mexem, sim, com as pessoas – mesmo nesses tempos loucos de internet e tal. E isso, temos de concordar, é muito bom!”
Mas voltando às bundas, não concordo com Joyce de que “somos um país de bundas”, pois o que conheço de desbundadas não está no gibi. Minha família mesmo é uma delas e até os homens ficam com a calça jeans fofa e vazia na bunda. Ninguém reclama, mas alguém me contou que sua filha deseja fazer uma plástica para por uma bela bunda com silicone. Que seja!
Pela primeira vez reparei que a Sônia, amiga da neta, era dona de uma notável bunda e abusava disso para usar fios dentais nos quais a exibiam à vontade. Olhava-se no espelho e sorria de satisfação.
Numa quinta-feira, como os professores fizessem greve, com duas amigas tomaram ônibus e foram para a Prainha. Ao chegar, perceberam que não tinha quase ninguém, só alguns homens, mas desclassificados na teoria delas. Na verdade, não eram membros da chamada elite.
Desconfiadas, mesmo assim foram tirando a roupa e esticaram-se na areia com seus fios-dentais. Uma passava óleo nas costas da outra, e comentavam sobre a seleção de Mano Menezes. Telma, mais entendida de futebol, fluminense, que não perdia nenhum jogo do seu time e da seleção brasileira, disse: “Se pudesse ou fosse da CBF,punha o Mano na rua e contrataria o Muricy. Não enxergam que ele não acerta nenhum jogo? Perdemos a “Copa das Américas” para a Alemanha e vamos fazer vergonha diante do time da Argentina.”Clarisse se meteu: “Ora! Porque não aguardar mais um pouco? Pode ser que o Brasil melhore e comece a ter algumas vitórias!” Sônia também deu seu palpite e opinou que faltava convocar o Ronaldinho Gaúcho, só assim a seleção ia dar um salto para vencer. Silenciaram e a pouco e pouco cochilavam. Além delas, só o quatro homens de bonés.
Não apareceu mais ninguém. O fato foi que um deles era tarado por bunda e abusado, aproveitou a deixa, aproximando-se das garotas. Teve o desplante de passar a mão enorme sobre a bunda de Sônia, a mais destacada. Ela deu um pulo e olhou raivosamente para a cara do sujeitinho pretensioso. Qual é? Pensa que sou da sua laia? Sai fora, seu vira-lata!
As três também se levantaram e estavam dispostas a defender a amiga. Assustadas, acalmaram-se ao perceber a presença de um policial no pedaço. Deu ordem de prisão para o safado. Ainda bem!
As moças enfiaram tudo nas mochilas e fizeram o caminho de volta. Dias depois, pelos jornais, souberam que aqueles homens eram traficantes e mantinham uma mulher presa num apartamento pequeno, no Morro do Alemão.
Agora, quando Sônia olha para sua bunda, tem até raiva, porque chama muita atenção.
Telma, a que mais lê e sabe das coisas, depois de ler o blog da colunista da Folha, disse: “Olha, nosso país é uma terra de ‘bundas”, porém diante de um povo que não luta pela Saúde, Educação, Segurança, Salários Dignos, Roubos, Tráfico de Drogas e outros, para mim não passa de um “País de Bundas Moles”

Nenhum comentário:

Postar um comentário